Dra Luciara Batista — Ginecologista e Obstetra

Leucorreia (Corrimento) é normal?

Leucorreia é o aumento do fluxo vaginal, podendo ser normal ou anormal (patológico). A Leucorreia anormal pode estar associada a alergias, infecções vaginais, vulvares e do colo uterino e DSTs.

Os sintomas mais frequentes são: Secreção vaginal aumentada, prurido (coceira), irritação, ardência vaginal e vulvar, dor durante a relação sexual e odor desagradável.

O diagnóstico é feito através do exame direto da secreção vaginal.

Quando a causa for alérgica, o tratamento é afastar os alergênos. Algumas mulheres apresentam alergia a um composto presente no amaciante de roupas, é aconselhável usar sabão neutro para a higiene da roupa íntima.

  • Vaginose Bacteriana – Causada por crescimento excessivo de bactérias e ausência de lactobacilos. Corrimento com odor desagradável, mais intenso no período menstrual e após a relação sexual. Em mulheres sintomáticas o tratamento é com antibióticos.
  • Tricomoníase – Infecção vulvovaginal causada pelo protozoário Trichomonas Vaginalis. A secreção vaginal torna-se abundante, aerada (bolhosa), amarelo-esverdeado, podendo causar prurido (coceira) e desconforto. O tratamento é com antibiótico, preferencialmente o Metronidazol em dose única.
  • Candidíase Vulvovaginal – É causada por um fungo chamado “Cândida”. Causa leucorréia grumosa e geralmente, prurido intenso e eritema (vermelhidão) vulvar.

Os fatores predisponentes para Candidíase Vulvovaginal são: Gravidez, sexo oral, anticoncepcionais orais, stress, doenças que diminuem a imunidade, tais como: Diabetes, AIDS, lupus e também uso de medicamentos como corticóide e antibióticos. O tratamento é com antifúngicos tópico ou oral. Nas gestantes usa-se tratamento tópico (cremes vaginais).

É importante lembrar que o uso de duchas vaginais deve ser evitado, pois diminuem as defesas naturais da vagina (lactobacilos), contribuindo para o surgimento de infecções vulvovaginais.

Anticoncepção / Métodos Contraceptivos

Os casais hoje, devido aos vários métodos contraceptivos disponíveis, podem planejar quando e quantos filhos desejam ter e em qual momento de suas vidas a gravidez deve acontecer. Ainda hoje, em adolescentes, o controle de natalidade é precário ou inexiste. O nível sócio econômico também é um fator importante. Muitas vezes, em comunidades carentes, a gravidez é uma forma de adquirir prestígio e respeito no meio em que vivem. É um “olhar a mais”.

Entre os vários métodos disponíveis hoje, estão presentes métodos reversíveis e métodos irreversíveis.

Métodos Reversíveis:

Métodos de barreira

  • Preservativo Feminino – É um método eficaz para prevenir DST (Doença Sexualmente Transmissível). É uma bolsa cilíndrica, feita de plástico fino, com um anel flexível em cada extremidade. A parte fechada é introduzida na vagina e fica próximo ao colo do útero.
  • Preservativo Masculino – É feito de látex, muito acessível, distribuído gratuitamente pelo Ministério da Saúde. É o melhor método para prevenção de DST. Deve ser armazenado e usado de forma correta, deve ser retirado após o uso com o pênis ainda ereto, diminuindo assim o índice de falhas.
  • Diafragma – É um aro flexível, em forma de capuz, que deve ser introduzido na vagina e cobrir o colo uterino, antes das relações sexuais. Impede a ascensão dos espermatozóides no útero. Existe vários tamanhos, a escolha correta deve ser avaliada pelo ginecologista.
  • Espermicida – São produtos químicos disponíveis em tabletes de espuma, gel ou creme. Causam ruptura da membrana celular dos espermatozóides, desta forma altera os movimentos e também pode causar a morte destes. Deve ser introduzido na vagina antes da relação sexual.

 

Métodos Contraceptivos Hormonais

  • Contraceptivo Oral (Pílula) – Método onde comprimidos contendo hormônios são administrados via oral.
  • Contraceptivo oral combinado – Comprimido contendo hormônio Etinilestradiol e Progestágenos. Inibem a secreção de gonadotrofinas, impedindo a ovulação.

Existem vários tipos de contraceptivos orais no mercado, e como qualquer medicamento, pode ter efeitos adversos. Mulheres obesas, tabagistas e hipertensas que usam pílula (contraceptivo oral), tem risco aumentado para acidente vascular cerebral, tromboembolismo venoso e infarto agudo do miocardio. É recomendável uma avaliação pelo médico ginecologista, para indicação de uma pílula que tenha menos paraefeitos.

 

Anticoncepcionais com Progestágenos

  • Progestágenos Isolados – É uma pílula que contém desogestrel 75mg, este dificulta a ascensão dos espermatozóides, torna o muco cervical espesso e inibe a ovulação. Pode ser usada durante a amamentação e nas mulheres que não podem usar estrogênio. Seu uso é contínuo.
  • Minipílulas – Pílulas contendo acetato de noretindrona e levonorgestrel. São usadas em mulheres durante a amamentação, mas o índice de falhas é grande.

 

Anticoncepcionais injetáveis

Combinados (estrogênio + progestógeno) ou progestógeno isolado.

São ampolas contendo hormônios para aplicação intramuscular (IM), profunda na nádega ou no deltóide. Podem ser de uso mensal ou trimestral. A primeira dose deve ser aplicada nos primeiros cinco dias da menstruação (até o quinto dia do ciclo). É um método reversível, mas o retorno à ovulação (fertilidade) é um pouco mais demorado.

 

Contracepção de Emergência (“Pílula do dia seguinte”)

É uma pílula contendo 1,5mg de levonorgestrel, que deve ser administrada pela via oral. É dose única. Deve ser ingerida preferencialmente até 72 horas (3 dias) depois da relação sexual desprotegida. Após a administração, usar preservativo até vir o sangramento, para reiniciar com outro método contraceptivo. O sangramento pode ocorrer de 1 a 4 semanas após o uso da pílula. A pílula do dia seguinte não deve ser usada rotineiramente. Evite tomar repetidas vezes.

 

Adesivo Transdérmico

É um adesivo contendo hormônio etinilestradiol e um progestágeno, coloca-se sobre a pele seca. Pode ser aplicado no abdome inferior, na parte superior das nádegas ou na parte externa do braço. Usa-se um adesivo por semana, por três semanas consecutivas, pausa de uma semana. O primeiro adesivo deverá ser aplicado no primeiro dia da menstruação. Deve-se fazer rodízio semanal dos locais de aplicação.

 

Anel Vaginal

Anel transparente que contém hormônio etinilestradiol e etonogestrel. Tem diâmetro de 54mm e espessura de 4mm. O anel deve ser introduzido na vagina em forma de “8”. Iniciar o uso entre o 1º e o 5º dia do ciclo por 3 semanas, retirar após. Pausa de 7 dias para nova colocação.

 

Implante Subdérmico

O implante subdérmico é um bastonete que contém progestágeno. Existe 2 tipos. Dependendo do tipo de hormônio usado, um tem duração de 3 anos e o outro entre 2 a 5 anos. O implante vem com um aplicador específico e deve ser introduzido na face interna do braço, abaixo da derme, sob anestesia local. O maior inconveniente do método é o sangramento irregular.

 

SIU (Sistema Intrauterino)

É um endoceptivo, sistema intrauterino que libera hormônios levonorgestrel. Deve ser inserido pelo ginecologista. Diminui o sangramento do fluxo menstrual. Tem validade de 5 anos. Pode ser usado como tratamento para mulheres que apresentam sangramento uterino aumentado (metrorragia) idiopático. Excelente método para adolescentes que não desejam menstruar.

 

DIU (Dispositivo intrauterino)

DIU de cobre é uma estrutura de polietileno que é inserido no interior do útero. Varia de 5 a 10 anos. Dependendo do tipo de DIU vai para 5. É um bom método de contracepção com baixo índice de falhas. Em algumas mulheres com o uso do DIU de cobre, pode ocorrer aumento do fluxo menstrual e cólicas mais intensas. A durabilidade depende do tipo de DIU.

 

Métodos Irreversíveis:

Contracepção cirúrgica

  • Ligadura Tubária – Contracepção cirúrgica feminina, por obstrução cirúrgica impede-se o transporte do óvulo.
  • Vasectomia – Contracepção cirúrgica masculina, é a ligadura do ducto deferente, pode ser feita com anestesia local.

Após o procedimento durante os 3 primeiros meses usar outro método contraceptivo. Deve-se realizar um espermograma para comprovar a efetividade da cirúrgia. É um método seguro. Não afeta o desempenho sexual masculino.

 

Gostou? Comente qual método você usa ou gostaria de usar.

O que fazer quando a adolescente menstrua pela primeira vez (Menarca)

A menstruação veio pela primeira vez, é muito importante que você consulte com um ginecologista. Nessa consulta você poderá tirar as dúvidas sobre o seu ciclo menstrual, aprender a fazer o autoexame das mamas, ter uma orientação clara sobre o método mais adequado de contracepção e a forma mais adequada de prevenção de DSTs. Você receberá orientação sobre os exames ginecológicos de rotina e como é feito e para que serve as vacinas necessárias nessa faixa etária.

Com frequência recebo no consultório, adolescentes relatando que no período menstrual sangram mais do que suas mães. Cada pessoa tem o seu padrão menstrual. É comum que a regularização do ciclo menstrual ocorra após os 2 anos da Menarca.

Existem doenças que causam alteração do ciclo menstrual, por isso a importância de uma avaliação médica. Também podem ocorrer cólicas durante o período menstrual, você não precisa sentir dor, há remédios para isso.

Como prevenir IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis).O que é PrEP?

 

A IST é transmitida de uma pessoa para outra através da relação sexual.

Como se manifestam as IST?

As IST podem se manifestar por meio de feridas, corrimentos ou verrugas anogenitais. São alguns exemplos de IST: herpes genital, sífilis, gonorréia, infecções pelo HIV, infecções pelo Papilomavírus Humano(HPV), hepatites virais B e C.

Dicas de prevenção:

  • Use preservativo (Camisinha), de forma correta. É importante lembrar que, ao usar o preservativo masculino, esse deverá ser retirado ainda com o pênis ereto, caso contrário, o preservativo pode não sair, ficando no interior da vagina e perdendo a sua eficácia de prevenção de IST e contracepção.
  • Faça exames ginecológicos regularmente.
  • Evite múltiplos parceiros, pois isso diminui a chance de contrair a doença.
  • Vacinação: Vacinas para Hepatite B e vírus HPV (Papiloma Vírus Humano).
  • Atenção mamães: Existem IST que podem ser transmitidas na gestação para o feto, causando aborto, morte fetal intrauterina e malformações congênitas. Faça o pré-natal regularmente. O cuidado com o seu bebê começa antes do nascimento.
  • A melhor forma de prevenção contra o HPV é a vacina. E a melhor forma de prevenção contra a AIDS é o preservativo (camisinha) e o não compartilhamento de seringas. Atualmente existe disponível no SUS a profilaxia Pré-exposição ao HIV(PrEP).

Você sabe o que é PrEP?

A profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP, do inglês Pre-Exposure Prophylaxis) consiste no uso de antirretrovirais (ARV) para reduzir o risco de adquirir a infecção pelo HIV. Essa estratégica se mostrou eficaz e segura em pessoas com risco aumentado de adquirir a infecção.

No Brasil, a epidemia de HIV/aids é concentrada em alguns segmentos populacionais que respondem pela maioria de casos novos da infecção, como gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e profissionais do sexo. Além disso, destaca-se o crescimento da infecção pelo HIV em adolescentes e jovens.

A PrEP se insere como uma estratégica adicional nova de prevenção disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de reduzir a transmissão do HIV e contribuir para o alcance das metas relacionadas ao fim da epidemia.

Para que esta estratégia seja eficaz, e necessário que a rede de saúde remova as barreiras de acesso a essas populações.

A PrEP faz parte das estratégias de prevenção combinada do HIV. A prevenção combinada abrange o uso da camisinha masculina e feminina, ações de prevenção, diagnóstico e tratamento das IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis), testagem para HIV, sífilis e hepatites virais B e C, profilaxia pós-exposição ao HIV, imunização para HPV e hepatite B, prevenção da transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatite B.

Segmentos populacionais prioritários para uso de PrEP:

  • Gays e outro homens que fazem sexo com outros homens (HSH);
  • Pessoas Trans;
  • Profissionais do sexo;
  • Parcerias sorodiscordantes para o HIV.

A PrEP está disponível no SUS, usa-se 1 comprimido por dia, via oral, em uso contínuo.

Para relações anais, são necessários cerca de 7 dias de uso de PrEP para alcançar a proteção. Para relações vaginais, são necessários aproximadamente 20 dias de uso.

PrEP durante a concepção, gestação e aleitamento

Mulheres HIV negativas, com desejo de engravidar de parceiro soropositivo ou com frequentes situações de potencial exposição ao HIV, podem se beneficiar do uso de PrEP de forma segura ao longo da gravidez e amamentação, para se proteger e proteger o bebê.

Pessoas em parceria sorodiscordantes para o HIV também são consideradas prioritárias para o uso da PrEP. As evidências científicas já indicam a baixa transmissibilidade de HIV por via sexual quando uma pessoa HIV positiva está sob terapia antirretroviral (TARV) há mais de seis meses, apresenta carga viral indetectável e não tem nenhuma outra IST. Adicionalmente, entende-se que a PrEP pode ser utilizada pelo(a) parceiro(a) soronegativo(a) como forma complementar de prevenção para casos de relato frequente de sexo sem uso de preservativo, múltiplas parcerias e/ou para o planejamento reprodutivo de casais sorodiscordantes.

Indivíduos com IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis), tem um risco aumentado em 3 a 10 vezes de se infectar pelo HIV e 18 vezes mais na presença de ulceras genitais.

Quem tem relação sexual desprotegida pode contrair uma IST. Não importa a idade, estado civil, classe social, identidade de gênero, orientação sexual, credo ou religião. A pessoa pode estar aparentemente saudável, mas pode estar infectada por uma IST.

Se você apresenta alguma lesão genital, procure atendimento médico.

Fonte: Ministério da saúde, Secretaria de vigilância em saúde, Departamento de vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente transmissíveis, do HIV/aids e das Hepatites Virais. Brasília-DF 2018